Monday, 26 December 2016

Guerreiro & Ribeiro

Guerreiro Ribeiro é o meu nome. Guerreiro e Ribeiro são as minhas famílias. O Guerreiro e o Ribeiro estão dentro de mim. Fazem parte de mim. São o que me compõe. São as partes do meu Eu.

O lado Guerreiro:

Para ele tudo é uma luta, tudo é uma batalha, tudo é perder ou ganhar. Se queres algo, então tens de lutar muito por isso! Tens de ser o melhor. Tens de ganhar. Tens de chegar primeiro. Tudo é difícil, por isso tens de lutar e lutar muito! E uma coisa é certa, o Guerreiro nunca desiste! É lutar até morrer! Assim, com muito suor, trabalho e espírito de luta, o Guerreiro chega onde quer. Sempre. Mas uma vez lá, descobre que há mais lutas pela frente, mais vitórias para conquistar. O Guerreiro não tem tempo para parar e admirar o que já atingiu. Há sempre mais a fazer. Há sempre outra batalha a vencer. Há sempre algo melhor.

O lado Ribeiro:

Este podia ser chamado o lado Zen. Tal como um ribeiro, em que a água brota da terra e simplesmente flui... Há obstáculos, sim. Mas o Ribeiro contorna-os. Faz um desvio maior se for preciso, e está tudo bem. O Ribeiro sabe que é capaz de ultrapassar todos os obstáculos. O Ribeiro sabe que vai chegar aonde e a quem precisa de chegar. Só tem de deixar fluir a corrente de água. Corrente essa que está dentro de si. Corrente essa que é ele próprio. No fundo, o Ribeiro só tem de Ser ele mesmo. Nenhum obstáculo é suficientemente grande para o impedir de chegar aonde e a quem a corrente deseja que chegue.
O Ribeiro também dá de si. Sacia a sede de quem cruza o seu caminho, mas nem por isso fica mais pequeno. Por mais que dê, continua sempre do mesmo tamanho. Por onde passa, a vida floresce e ganha mais cor.

-

A minha vida tem sido uma constante discussão entre estas duas partes que me compõem. A mente identifica-se com o Guerreiro. A mente não gosta de incertezas, não gosta de não possuir controlo sobre todas as variáveis. A mente não consegue compreender o "deixar fluir" do Ribeiro. Mas o coração entende.

Olhando para o passado, compreendo que por vezes haja necessidade deste lado Guerreiro. Situações de "fundo do poço", por exemplo, onde estamos por nossa conta. Nessas alturas, é bom saber que ele está aqui.

Quando o Guerreiro exausto de todas as tentativas falhadas, perde as forças e cai; passa por lá o Ribeiro. Na verdade a água do Ribeiro sempre passou por ali. O Guerreiro é que, forçado a parar pela exaustão, só agora se apercebia dela. O Guerreiro ao ver a água, começa a beber dela. Primeiro com dificuldade, está cheio de dores, mas depois torna-se mais fácil. O Guerreiro sabia que estava com sede, mas só depois de começar a beber, se apercebeu verdadeiramente da necessidade que tinha desta água. A água permite-lhe recuperar as suas forças e uma vez sentindo-se fortalecido, o Guerreiro levanta-se e volta à luta.

Uma vez fora do "poço", o desafio é de Guerreiro, passar a ser mais Ribeiro.

Nem sempre precisamos de ser Guerreiro, mas é sempre necessário ser Ribeiro. 

Guerreiro & Ribeiro



  

Wednesday, 21 December 2016

A Empregada de Mesa - A Arte de Sorrir e Acenar

Restaurante cheio! Havia, além do nosso, pelo menos outros dois jantares de aniversário.

Ela vinha com cara de quem estava a ter um dia longo...



Nisto, lembro-me de uma aula de coaching. Nessa aula, mesmo a propósito, o meu grupo tinha encenado para um dos exercícios, uma cena num café. A empregada também vinha mal humorada. Mas com boa disposição e um sorriso, tudo ficou bem.

Decidi pôr em prática. Afinal, o que custa tentar?

Pedi um copo de água, com a maior simpatia que poderia imprimir numa tão curta frase, e sorri.

O resultado foi incrível!

No momento em que eu sorri, os seus ombros caíram e ela respirou.
Pareceu-me ver o seu stress a dissipar como uma nuvem... Como se os meus olhos, nesse instante, conseguissem captar a energia (negativa) da qual ela agora se libertava... Terminando mesmo por me devolver o sorriso.

O momento passou. Começou num sorriso e terminou noutro. A azáfama, que ficou suspendida numa respiração (na dela), voltou. No entanto, durante o resto da noite, ela pareceu-me mais leve.

Quanta gente mal-humorada cruza o nosso caminho, a necessitar apenas de um sorriso? Quantas vidas podemos mudar hoje, se proporcionarmos esses sorrisos? E se sorriso a sorriso, pudéssemos mudar o mundo?

Afinal, o que custa tentar?

O Velho e o Cão - A Arte de Sorrir e Acenar

Todos os dias, ao sair da aldeia, passo por um senhor.

Ele sempre sentado no mesmo sítio a ver os carros passar.

Um cão que sempre lhe faz companhia nesse banco.

Aceno e sorrio, sempre sem resposta.

Ele olha para mim, como se estivesse a tentar decifrar quem sou. Será que me conhece?

Há meses que ali passo e é sempre o mesmo. Importará mesmo saber quem sou?

Aceno e sorrio, sempre sem resposta.

Aborrece-me. Perdi o sorriso, mas continuo a acenar porque sim.

Mais de um ano se passou. Já não me aborrece. Continuo a acenar porque sim. Porque cada um deve agir conforme quem é. Aceno porque é o correto. Porque sou assim. Apetece-me ser assim.

Aceno e sorrio.

E então algo mudou.

Hoje ele acenou e sorriu de volta!

Até o cão parecia sorrir com ele!

O que mudou ao longo destes meses todos? O que foi diferente?

Acenei e sorri...

Mas desta vez não esperei nada em troca.

A Vida é assim... Retribui aquilo que damos, quando o fazemos sem qualquer tipo de cobrança. Ou seja, devolve aquilo que somos.


Friday, 30 September 2016

Waiting...

Oh the wait...

Why do I always find myself waiting?

Why is everything I want in the future and not "here and now"?

Perhaps in some other dimension I'd find it...
Maybe if everything past, present and future is happening all at once and time is nothing but our imagination as physicists suggest... Then maybe there is a Me in a parallel universe right now that has everything I desire...

Somewhere... Just not Here and Now...


Oh Time, why won't you run as fast as my heart beats?

Why are You slow when You need to be fast, and fast when You need to be slow?

Why do You have it backwards?

Why do you keep me waiting? It's so hard... It hurts so much... Why do you keep doing this?

How am I supposed to enjoy the present if my heart's not Here? It's not here in space nor time...

On second thought maybe you do run as fast as my heart, for when I'm with him my heart beats fast as so do you. And when I'm not my heart stands still and so do you...

Maybe we do control time in that way...

It seems the answer would be to do more of the things I love so my heart beats faster and time with it...
It looks simple but the truth is it's hard to appreciate those things without him to share them with.

It's hard going back to just being one person, one half of a heart, one half of a life...


Technology is such a mediocre substitute... I'm tired of words!

Words can't express love the way a kiss can! They can't even describe the way a simple touch of hands feels...

How can my heart beat fast enough if all I have are words to fill my days?

Minutes feel like hours and I can't stand it! But I must and so I do!

I'll keep waiting... Picturing a future that is not yet here, as it helps with the pain of being away in time and space.

For as long as it takes, I'll be Here waiting for that future to become the Now... 


Nothing else matters but Love.

So I wait...